Sucralose é uma boa alternativa?

sucralose cafe

Nas últimas décadas a saúde das pessoas vem sendo afetada, principalmente, por fatores ligados à hábitos de alimentação inadequados, traduzidos basicamente pelo consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares (provenientes de açúcares de adição, alimentos refinados e altamente processados), sal e gorduras. Isto tem levado a um aumento preocupante do excesso de peso e das doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, câncer, etc.

Por esta razão, muitas pessoas passaram a procurar substitutos para o açúcar (ingrediente altamente discutido pelo consumo excessivo e suas implicações), que possibilite preservar o prazer associado ao consumo de alimentos doces, sem riscos de ganho de peso ou efeitos indesejáveis a saúde. Entre estes substitutos um muito popular é a sucralose.

No entanto, enquanto as autoridades (FDA) afirmam que a sucralose é segura para o consumo, alguns estudos têm relacionado o seu consumo a problemas de saúde.

A Ingestão Diária Aceitável é de até 15 mg / kg de peso corporal/dia (FAO/WHO).

Neste post iremos resumir alguns resultados de estudos que discutem estes achados.

O que é a Sucralose?

Sucralose é um edulcorante artificial sem caloria. É feita a partir de açúcar, em um processo químico de múltiplos passos, onde 3 grupos hidrogênio-oxigênio (hidrocarboneto) são substituídos com átomos de cloro, ou seja, é um clorocarboneto ou organoclorado,  da mesma família de pesticidas como o DDT. Estudos tem mostrado que ela é altamente resistente a biodegradação. Por suas qualidades persistentes a sucralose pode levar a exposição crônica de baixa dose com consequências largamente desconhecidas para a saúde humana e ambiental (11).

Adoçantes a base de sucralose foi introduzido nos EUA em 1999, e é um dos adoçantes mais populares no país, sendo utilizado em bebidas frias ou quentes, além de preparações cozidas ou assadas. Ela também é adicionada a milhares de produtos industrializados em todo o mundo.

A sucralose é 400-700 vezes mais doce do que o açúcar, e não tem um sabor amargo tal como muitos outros edulcorantes populares.

Sucralose pode prejudicar a Microbiota intestinal?

Manter a boa função intestinal é extremamente importante para a saúde em geral. O equilíbrio entre as bactérias intestinais pode melhorar a digestão, beneficiar a função imune e reduzir o risco de muitas doenças (1,2).

Alguns estudos têm encontrado efeitos negativos à saúde relacionados ao uso indiscriminado de adoçantes artificiais, entre eles a sucralose.

Estudo realizado com ratos verificou que o consumo de sucralose resultou em efeitos negativos sobre as bactérias intestinais. Após 12 semanas, os ratos que tinham consumido sucralose possuíam de 50 a 80% menos bactérias anaeróbicas (benéficas) em seu intestino (3). Bactérias benéficas como bifidobacterias e lactobacilos foram significativamente reduzida, enquanto que as bactérias mais prejudiciais foram menos afetadas. Além disto, 12 semanas após o experimento as bactérias intestinais não tinham voltado ao normal. Estas mudanças ocorreram em doses de sucralose de 1,1-11 mg / kg (a dose diária aceitável é de 15 mg / kg de peso).

Outro estudo verificou que a sucralose resultou em inibição do número de bacterioides. Lembrando que a microbiota intestinal é composta principalmente por membros dos filos Bacteroides e Firmicutes. Os achados mostraram que a Sucralose tem a capacidade de alterar a composição da flora intestinal e que os impactos negativos sobre a saúde deste desequilíbrio devem ser considerados (4).

O consumo de adoçantes artificiais (entre eles a sucralose) tanto em ratos como em seres humanos também foi associado ao aumento do risco de intolerância à glicose, resultante de alterações metabólicas mediadas pela disbiose intestinal (5).

Pesquisadores recomendam que o uso generalizado de adoçantes artificiais por indivíduos sem indicação clínica, deve ser desencorajado e reavaliado, seja este uso proveniente tanto da adição intencional do consumidor à algum alimento, ou pelo consumo indireto, proveniente de produtos industrializados (que muitas vezes podem ser ingeridos até por crianças).

Os efeitos a longo prazo ainda não são claros, assim as autoridades de saúde, como o INCA (Instituto nacional do Câncer) apesar destes produtos serem classificados como seguros (dentro dos limites de consumo estabelecidos), também recomendam evitar o consumo de qualquer tipo de adoçante artificial, inclusive a sucralose, para a população sem indicação clínica específica para o uso de adoçantes artificiais.

Outras questões discutidas e pesquisadas sobre a sucralose é a sua segurança em preparações culinárias e potenciais riscos de câncer.

Quanto a estas questões a sucralose é considerada resistente ao calor, e adequada para cozinhar e assar. No entanto, estudos recentes têm contestado esta afirmação.

Parece que em altas temperaturas, ela começa a quebrar e interagir com outros ingredientes (6). Outro estudo verificou que o aquecimento da sucralose em alimento que contém glicerol (gordura), produz uma substância nociva chamadas cloropropanol. Isto ocorre devido a liberação de cloreto de hidrogênio da molécula de sucralose e sua capacidade de clorar vários ingredientes relacionados com os alimentos, tais como o glicerol, gerando, assim, os cloropropanols, uma classe potencialmente tóxica de compostos. Esta substância pode aumentar o risco de câncer (7).

Mais pesquisas são necessárias, enquanto isto pesquisadores recomendam evitar o uso da sucralose em temperaturas acima de 120°C  (8).

Quanto ao risco de câncer, ainda não existe estudos conclusivos apoiando uma ação potencial carcinogênica.

Mesmo assim, a sucralose foi sugerida para avaliação do Grupo Consultivo da International Agency for Research on Cancer (IARC), com alta prioridade, para estimativa de carga global do Câncer, no decorrer dos anos de 2015 a 2019 (9).

Recentemente o Conselho Federal de Nutrição publicou uma recomendação (03/2016) aos nutricionistas ressaltando o fato de que adoçante artificial só deve ser indicado para pacientes com necessidade clínica específica para o uso da substância, respeitando-se os limites de Ingestão Diária Aceitável (10).

Afinal qual é a melhor opção?

O melhor é adotar um consumo reduzido de açúcares (naturais) de adição, ou, quando possível não adicionar. Segundo a OMS (2015) um limite interessante para não comprometer a saúde seria não ultrapassar de 25 gramas por dia de açúcares livres (5% do valor calórico total). São considerados “açúcares livres” os monossacarídeos (como glicose e frutose) e dissacarídeos (como sacarose) adicionados a alimentos e bebidas pelo consumidor ou pela indústria alimentícia durante o preparo de alimentos, além dos açúcares naturalmente presentes em mel, xaropes e sucos de frutas.

Referências:

  1. West CE, Renz H, Jenmalm MC, Kozyrskyj AL, Allen KJ, Vuillermin P, Prescott SL; in-FLAME Microbiome Interest Group. The gut microbiota and inflammatory noncommunicable diseases: associations and potentials for gut microbiota therapies. J Allergy Clin Immunol.2015 Jan;135(1):3-13.
  2. Jose C. Clemente, Luke K. Ursell, Laura Wegener Parfrey, Rob Knight. The impact of the gut microbiota on human health: an integrative view. Cell. 2012 March 16; 148(6): 1258–1270.
  3. Abou-Donia MB1, El-Masry EM, Abdel-Rahman AA, McLendon RE, Schiffman SS. Splenda alters gut microflora and increases intestinal p-glycoprotein and cytochrome p-450 in male rats.J Toxicol Environ Health A. 2008 ;71(21):1415-29.
  1. Scott Rettig1, Jake Tenewitz1, Greg Ahearn1and Charles Coughlin. Sucralose causes a concentration dependent metabolic inhibition of the gut flora Bacteroides, B. fragilis and B. uniformis not observed in the Firmicutes,E. faecalis and C. sordellii (1118.1). The FASEB Journalvol. 28 sem. 1 Suplemento1.118,1 Abril 2014
  2. Suez J, Korem T, Zeevi D, Zilberman-Schapira G, Thaiss CA, Maza O, Israeli D, Zmora N, Gilad S, Weinberger A, Kuperman Y, Harmelin A, Kolodkin-Gal I, Shapiro H, Halpern Z, Segal E, Elinav E. Artificial sweeteners induce glucose intolerance by altering the gut microbiota. Nature. 2014;514(7521):181-6.
  3. Schiffman SS, Rother KI. Sucralose, a synthetic organochlorine sweetener: overview of biological issues. J Toxicol Environ Health B Crit Rev. 2013;16(7):399-451.
  4. Anja Rahn, Varoujan A. Yaylayan. Thermal degradation of sucralose and its potential in generating chloropropanols in the presence of glycerol. Food Chemistry. V. 118, Issue 1, January 2010, Pag 56–61.
  5. de Oliveira DN, de Menezes M, Catharino RR. Thermal degradation of sucralose: a combination of analytical methods to determine stability and chlorinated byproducts. Sci Rep. 2015;5:9598.
  6. IPCS-INCHEM. Resumo das avaliações realizadas pelo Comité Misto FAO / OMS de Peritos em Aditivos Alimentares: sucralose. Disponível em: http://www.inchem.org/documents/jecfa/jeceval/jec_2206.htm.
  7. http://www.cfn.org.br/index.php/recomendacao-cfn-no-32016-sucralose/
  8. Lindsay Soh, Kristin A. Connors, Bryan W. Brooks, Julie Zimmerman. Fate of sucralose through environmental and water treatment processes and impact on plant indicator species. Environ Sci Technol. 2011 15 de feb; 45 (4):1363-1369.
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