OMS apresenta relatório apelando por uma ação global para conter o avanço da obesidade infantil.

report OMS obesity

A prevalência de obesidade e sobrepeso em crianças vem crescendo de forma alarme nas últimas décadas, representando um grande problema de saúde pública, com impactos negativos na saúde e no bem estar das crianças e dos futuros adultos. Cerca de 41 milhões de crianças nessa faixa etária estão obesas ou com sobrepeso, e o maior aumento nesta tendência é encontrado em países de baixa e média renda, como o Brasil. Motivados pela necessidade de reverter esta situação a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da Comissão de Combate à obesidade Infantil, disponibilizou recentemente um relatório técnico contendo uma série de recomendações destinadas a conter esta tendência crescente. Importante frisar que as ações propostas inclui necessariamente o engajamento de diversos atores sociais, da família, da escola, da comunidade, das empresas de alimentos, dos governos, entre outros. O sucesso destas ações irá depender do comprometimento e mobilização efetiva de todos nós!

Segundo Peter Gluckman, Co-Presidente da Comissão, o “Maior empenho político é necessário para resolver o problema global de sobrepeso e obesidade na infância”. “A OMS deve trabalhar com os governos para implementar uma ampla gama de medidas para lidar com as causas ambientais da obesidade e do sobrepeso em crianças e ajudá-las a começar a sua vida de uma forma saudável, como elas merecem”.

Dr. Sania Nishtar, também co-presidente da Comissão, acrescentou: “O sobrepeso e a obesidade afetam a qualidade de vida das crianças, pois eles são expostos a uma série de dificuldades, em consequências das condições físicas, psicológicas e de saúde. Sabemos que a obesidade também pode afetar o rendimento escolar, e, juntamente com a maior probabilidade dessas crianças permanecerem obesos na idade adulta, traz, além de prejuízos à saúde, sérias implicações econômicas para eles, suas famílias e para a sociedade como um todo”.

Segundo o relatório, muitas crianças crescem hoje, em ambientes propícios ao ganho de peso e obesidade. Os processos de globalização e urbanização estão contribuindo para o aumento da exposição a ambientes insalubres (obesogênicos), em todos os grupos socioeconômicos. Estudos tem mostrado que a comercialização de refrigerantes e alimentos não saudáveis ​​é uma das principais razões para o aumento do número de crianças com sobrepeso e obesidade, especialmente no mundo em desenvolvimento.

Entre 1990 e 2014, a prevalência de sobrepeso entre as crianças menores de cinco anos aumentou de 4,8% para 6,1% , o que equivale a um aumento numérico de 31milhões para 41 milhões. Nos países de baixa e média renda o número de crianças com excesso de peso mais do que dobrou no mesmo período, passando de 7,5 para 15,5 milhões.  Em 2014, quase metade de todas as crianças menores de cinco anos estavam acima do peso ou obesos.

Seis recomendações aos governos

  1. Promover o consumo de alimentos saudáveis

Implementar programas abrangentes para promover o consumo de alimentos saudáveis ​​e contribuir para reduzir a ingestão de alimentos não saudáveis ​​e bebidas açucaradas por crianças e adolescentes (por exemplo, através de impostos eficazes sobre bebidas açucaradas e restrição a comercialização de alimentos não saudáveis) .

2. Promoção da prática de atividade física

Implementar programas abrangentes que promovam a atividade física e reduzir o sedentarismo das crianças e adolescentes.

3. Cuidados adequados na pré-concepção e gravidez

Integração e reforço das orientações para a prevenção de doenças não transmissíveis com diretrizes atuais sobre a pré-concepção e pré-natal (para reduzir o risco de obesidade infantil, impedindo o baixo e o alto peso ao nascer, prematuridade e várias complicações gravidez).

4. Alimentação e atividade física na infância

Fornecer orientações e apoiar a boa alimentação, a importância do dormir, da atividade física na infância. Promover hábitos saudáveis ​​e garantir que as crianças crescem adequadamente e adotem esses hábitos (promoção do aleitamento materno, limitar o consumo de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal, e garantir que as crianças tenham acesso a uma alimentação saudável e façam exercícios).

5. Saúde, nutrição e atividade física entre crianças em idade escolar

Implementar programas abrangentes que promovam ambientes escolares saudáveis, educação sobre saúde e nutrição e atividade física entre as crianças em idade escolar e adolescentes (estabelecer normas para os alimentos com sumidos e comercializados nas escolas, eliminando a venda de bebidas e alimentos pouco saudáveis ​​e a inclusão no currículo de formação sobre saúde e nutrição e boa educação física).

6. Controle de peso

Oferecer às crianças e aos jovens serviços de gestão para garantia de um peso adequado, com base na família, estilo de vida, entre outros.

Nas suas conclusões, a Comissão estimula a OMS para institucionalizar a nível da Organização uma abordagem transversal que implique todo o ciclo de vida, a fim de acabar com a obesidade infantil.

O relatório também apresenta uma série de medidas que inclui outros atores sociais, e apela a organizações não governamentais para dar maior visibilidade ao problema da obesidade da infância e defender melhorias no ambiente, e ao setor privado de produção de alimentos e bebidas que promovam opções realmente saudáveis e facilitem o acesso a eles.

Para ler o relatório final na integra (em inglês) acesse: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/204176/1/9789241510066_eng.pdf?ua=1

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