Magnésio pode combater a depressão?

brain magnesiumA depressão afeta 350 milhões de pessoas em todo o mundo e a OMS prevê ser a principal causa da carga de doenças até 2030. Estudos que fizeram uso de antidepressivos verificaram que apenas metade dos pacientes tratados conseguem remissão. Mesmo após a adição de outros tratamentos, 20% ainda sofrem de sintomas após 2 anos. Abordagens não farmacológicas, como Terapia comportamental cognitiva e intervenções de estilo de vida, requerem terapeutas altamente treinados e várias semanas a meses para alcançar a eficácia. Existe uma grande necessidade de opções de tratamento adicionais.

Neste sentido, pesquisadores da Universidade de Vermont nos Estados Unidos realizaram ensaio clinico randomizado, do tipo crossover, que avaliou o efeito do uso por 6 semanas da suplementação oral de cloreto de magnésio (MgCl 2 ) na melhora dos sintomas de depressão leve a moderada. O estudo foi conduzido com 112 adultos atendidos em serviço de atenção primária de saúde nos EUA. Os participantes foram diagnosticados com sintomas leves a moderados de depressão, por meio do Questionário de Saúde do Paciente – PHQ-9, que avalia a depressão por meio de uma escala com pontuação de 5 a 19. Os participantes foram ainda avaliados quanto a ansiedade por meio da Escala de Distúrbio da Ansiedade Generalizada – GAD-7. A intervenção foi de 6 semanas de tratamento ativo (248 mg de magnésio elementar por dia, ou 4 comprimidos de 500mg de cloreto de magnésio) em comparação com 6 semanas de controle (sem tratamento). O resultado primário foi a diferença na mudança nos sintomas de depressão desde a linha de base até o final de cada período de tratamento, ajustada por variáveis de interesse. O consumo de cloreto de magnésio resultou em uma melhora clinicamente significativa nas pontuações do PHQ-9 de menos 6,0 pontos (CI -7,9, -4,2; P <0,001) e melhora nos transtornos de ansiedade generalizada de menos 4,5 pontos ( CI-6,6, -2,4; P <0,001). A adesão média foi de 83%. Os suplementos foram bem tolerados. Os efeitos foram observados dentro de duas semanas de uso.

Os efeitos foram observados independentemente da idade, sexo, gravidade da depressão, nível basal de magnésio ou uso de tratamentos antidepressivos, ou seja, este efeito não se deveu à história natural, a regressão à média ou à confusão e foi observada em uma ampla gama de pacientes com diferentes idades, tratamentos e gravidade dos sintomas basais, ou seja, a suplementação diária com 248 mg de magnésio elementar levou a uma diminuição significativa nos sintomas de depressão e ansiedade.

Embora o desenho do estudo seja robusto no controle de viés internos, os autores recomendam que seria importante ver os resultados replicados em ensaios clínicos maiores que avaliam a eficácia a longo prazo e fornecem dados adicionais em subgrupos. O estudo mostrou que os suplementos de magnésio podem ser uma alternativa rápida, segura e facilmente acessível, ou complementar, para iniciar ou reduzir a dose de medicamentos antidepressivos.

Embora a associação entre o magnésio e depressão esteja bem documentada, o mecanismo é desconhecido. No entanto, o magnésio desempenha um papel em muitas das vias, enzimas, hormônios e neurotransmissores envolvidos na regulação do humor. Em situações de baixo nível de magnésio, altos níveis de cálcio e glutamato podem desregular a função sináptica, resultando em depressão. Estudos mostram que alguns pacientes podem ter concentrações plasmáticas normais de magnésio, porém terem reservas intracelulares empobrecidas. É possível também, que a suplementação de magnésio pode permitir uma menor dosagem de antidepressivos ou evitar a necessidade de uso de uma segunda medicação, que podem reduzir a carga geral de efeitos colaterais.

Outra questão importante que nós, do Instituto Nutrição ComCiência, refletimos com os resultados deste estudo é que o padrão alimentar dos indivíduos está cada vez mais prejudicado em sua qualidade, o que compromete o fornecimento de nutrientes importantes, que estão facilmente disponíveis em uma série de alimentos naturais. A quantidade de magnésio empregada no estudo é facilmente obtida por meio do consumo regular de folhas verdes escuras, frutas (como cacau, abacate, banana, etc), feijões, castanhas, cereais integrais, iogurte natural, leite entre outros.  Só para termos uma ideia 50g de cacau contém cerca de 275mg de magnésio, 50g de castanha de caju contém cerca de 120mg de magnésio, 100g de espinafre contém cerca de 80 mg de magnésio, 50 g de semente de abóbora contém cerca de 130mg de magnésio.

Vale lembrar também que o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, cafeína, sódio e cálcio ou o alto consumo de proteínas (suplementação proteica) aumenta a excreção renal de magnésio. A vitamina D exerce papel importante em auxiliar a absorção do magnésio, portanto a absorção do magnésio é prejudicada em caso de deficiência da vitamina D, situação muito comum atualmente.

Alimentos ricos em inulina, um nutriente presente em alimentos vegetais como cebolas, alho, chicória, entre outros, auxiliam a absorção de magnésio, pois favorecem a atividade de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), o que resulta em redução do pH luminal, aumento da solubilidade do mineral, do fluxo sanguíneo e vasodilatação das artérias intestinais, contribuindo para o aumento da absorção do magnésio.

No Brasil, são escassas estimativas fidedignas do consumo de magnésio na população. Estimativas da POF (2008-2009), indicam que o consumo alimentar de magnésio na população adulta de ambos os sexos apresentou grande prevalência de inadequação, sendo que 85% das mulheres com idade acima de 14 anos apresentaram inadequações do consumo. O consumo reduzido de magnésio nessa população pode ser explicado pela baixa ingestão de alimentos fonte, como vegetais verdes escuros, cereais integrais e oleaginosas.

É diante deste cenário de inadequação do consumo alimentar, que a indústria de medicamentos antidepressivos e estabilizantes do humor cresce de forma exponencial no Brasil e no mundo. Segundo pesquisa da IMS Health, em 2016 a venda de antidepressivos e estabilizadores de humor cresceu 18,2% no Brasil, totalizando um comércio que gerou R$ 3,4 bilhões. A depressão atinge cerca de 17 milhões de pessoas no Brasil.

Portanto, fica a dica!

Alimentação saudável é a melhor solução!!!

Referência:

Papel da suplementação de magnésio no tratamento da depressão: Um ensaio clínico aleatório  . Tarleton EK, Littenberg B, MacLean CD, Kennedy AG, Papel da suplementação de magnésio no tratamento de depressão Daley C (2017): Um ensaio clínico aleatório. PLoS ONE 12 (6): e0180067. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0180067

 

 

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Arquivado em alimentos e saúde, depressão, suplementação nutricional, Uncategorized

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