CORONAVÍRUS, COMO PODEMOS PROTEGER NOSSAS CRIANÇAS?

O surgimento do coronavírus na China é o principal assunto dos noticiários e manchetes de jornal e tem causado um grande pavor mundial, principalmente após a Organização Mundial de Saúde declarar que a infecção pelo novo coronavírus é uma “emergência de saúde pública”, com impactos econômicos (evidenciado pela queda da bolsa de valores e subida do dólar) .

Diante deste cenário, antes de ficamos completamente paralisados pelo medo ou descontrolados pelo pânico, é importante conhecer de forma clara, sem sensacionalismo, quais são os reais riscos que estamos expostos e o que fazer nesta situação.  

O QUE É O CORONAVIRUS?

O Coronavírus faz parte de uma grande família de vírus, que causam infecções tanto em animais quanto no homem, podendo causar graves problemas respiratórios e morte. São conhecidos desde 1960.  Estima-se que o novo coronavírus tenha surgido na cidade chinesa de Wuhan, por meio de uma mutação de dois vírus, que deu origem a uma outra cepa.

CONTÁGIO E LETALIDADE

Com base nos dados atuais (número de indivíduos contaminados pelo vírus e número de mortes) a probabilidade de um indivíduo se contaminar pelo vírus na China é de 0,00001% e a letalidade (risco de morrer) é de 2%, não justificando o grande terror que se instalou em nível individual, mas sim, se justifica em termos de emergência nas ações governamentais para contenção. Lembrando que no Brasil ainda não temos NENHUM caso confirmado, até agora são somente 14 casos suspeitos.

Vale lembrar que no Brasil em 2018 a taxa de letalidade do H1N1 foi de 20% (Boletim epidemiológico MS, 2019). Ou seja, o novo coronavírus possui menor patogenicidade que o H1N1. Como muitos infectados pelo coronavírus não se sentem realmente doentes, eles continuem transitando normalmente, aumentando a disseminação da doença. 

E por que nem todos que entram em contato com o vírus apresentam sintomas ou morrem?

Isto acontece devido a capacidade do nosso sistema imunológico em lidar com o vírus. O maior risco de morte é observado em pessoas com saúde debilitada, principalmente se forem crianças ou idosos e apresentarem outras comorbidades (doenças). Portanto, manter as defesas naturais em dia é primordial.

COMO AGIR?

Para garantir a boa defesa imunológica precisamos manter hábitos saudáveis que previna o contato com agentes agressores, mas o mais importante é reforçar as defesas naturais, independente de coronavírus ou qualquer outro vírus que venha a surgir.

Crianças e idosos são os grupos mais susceptíveis a complicação quando se instala uma gripe, independente do vírus, devido a condição fisiológica e nutricional. Nestes grupos, observa-se maior frequência de deficiências nutricionais que comprometem as defesas naturais do organismo. 

Portanto, a melhor arma para enfrentar os vírus são a PREVENÇÃO  e o FORTALECIMENTO DAS DEFESAS IMUNOLÓGICAS.

 PREVENÇÃO

Ensinamentos básicos de saúde, como a higiene pessoal, lavar as mãos com água e sabão, usar álcool gel são fundamentais para evitar a disseminação de virús. Além de evitar locais fechados e aglomerados.

Outra medida é evitar o consumo de alimentos de origem animal crus (frutos do mar, peixes, carnes, aves, animais silvestres, ovos, etc) e alimentos comercializados nas ruas, além de escolher bem o local de consumo, avaliando a higiene do ambiente. Ou seja, oferecer as crianças refeições preparadas em casa é sempre a melhor alternativa!

FORTALECENDO A DEFESA IMUNOLÓGICA

O inverno é o período do ano em que aumenta a circulação de vírus que atacam o aparelho respiratório, principalmente das crianças, por isto vamos aproveitar o verão para colocar as defesas naturais em dia para proteger as crianças dos agressores que podem surgir. Para fortalecer o sistema imunológico natural é preciso ter uma alimentação adequada, boa qualidade de sono, atividade física, exposição adequada ao sol e hidratação.

Uma alimentação desequilibrada, rica em açúcares e gorduras ruins como as encontradas em fast food e alimentos industrializados (processados e ultraprocessados), comprometem a saúde e reduzem as defesas naturais do organismo.

Entre os principais nutrientes que garantem a imunidade podemos destacar 7, são eles:

  1. Ferro
  2. Vitamina D
  3. Vitamina A
  4. Vitamina C
  5. Zinco
  6. Selênio
  7. Ácido fólico.

Entre estes, 3 se destacam com altíssima importância entre as crianças no Brasil, são eles: o ferro, vitamina D e vitamina A, devido a grande frequência de crianças com baixas reservas destes nutrientes.  

FERRO: encontrado em alimentos de origem animal (carne bovina, aves, suíno, peixes, etc) e também em alimentos de origem vegetal como o feijão, ervilha, lentilha, grão de bico, etc. Porém, nem todo ferro que consumimos será absorvido, para garantir uma boa absorção, além de mastigar bem os alimentos, precisamos de uma dieta diversificada (com frutas, verduras e legumes), para obtermos outros nutrientes que irão auxiliar nesta absorção. A baixa quantidade de ferro no organismo é um dos problemas nutricionais de maior prevalência em crianças e quando o ferro atinge níveis muito baixos instala-se a anemia. Esta condição afeta o crescimento, o aprendizado e a imunidade, prejudicando as defesas naturais e predispondo a maior risco de doenças. A anemia acomete cerca de 50% das crianças pré-escolares no mundo, sendo um sério problema de saúde pública em 75% dos países, incluindo o Brasil. Diversos esforços para reduzir a anemia e a deficiência de ferro tem sido feitos, porém a prevalência desta deficiência ainda é muito preocupante, atingindo mais da metade de crianças menores de 2 anos em algumas regiões e contextos sociais. A suplementação profilática de ferro é recomendada para todas as crianças de 6 meses até 2 anos. Avalie, com o pediatra e nutricionista, se a alimentação do seu filho atende as necessidades deste nutriente e se é necessário suplementar.

VITAMINA D:  é um pré-hormonio, e pode ser sintetizada na nossa pele por meio da exposição adequada à luz solar, ela possui diversas funções corporais, como a saúde óssea e também o reforço das defesas do nosso organismo, auxiliando na prevenção e recuperação de gripes e resfriados. Tem sido observado um aumento da frequência de crianças com valores insuficientes de vitamina D no Brasil e no mundo. A suplementação da vitamina D é mandatória para recém-nascidos a termo, até os 24 meses de vida, em todas as regiões do país, pois reconhece que crianças não apresentam a rotina diária de exposição solar. Nos últimos anos, tem-se acumulado evidências de que manter bons níveis séricos de vitamina D está diretamente relacionado ao menor risco de gravidade de doenças virais. O verão é a melhor época do ano para aumentarmos os estoques de vitamina D das crianças, por meio da exposição solar adequada. Portanto, deixem as crianças brincarem ao ar livre, para que no inverno elas estejam com níveis de vitamina D mais elevados. Converse com o pediatra sobre a necessidade de suplementação. 

VITAMINA A: pode ser obtida por meio do consumo de frutas, verduras e legumes que possuem betacaroteno, como as de coloração alaranjadas como mamão, abobora, cenoura, caqui, etc ou as de cor verde escura, como a couve, brócolis, espinafre, rúcula, agrião, entre outros. Além destes alimentos, o leite, o fígado e a gema de ovo também são excelentes fontes de vitamina A. A carência desta vitamina ainda é um problema de saúde pública no Brasil, desta forma, recomenda-se manter uma boa alimentação com diversidade de alimentos naturais e suplementar de forma profilática todas as crianças menores de 2 anos.

VITAMINA C: presente em frutas (acerola, caju, laranja, mexerica, goiaba, abacaxi, limão, morango, mamão,  etc) e vegetais crus (couve, espinafre, repolho, rúcula,  brocoli, pimentão, entre outros). Aumenta a produção de células de defesa do organismo e combate micro-organismos, auxiliando a prevenir e tratar resfriados e gripes. Ela ajuda ainda na melhor absorção do ferro dos alimentos.

O ZINCO é um mineral importantíssimo para a formação de células imunológicas, sendo fundamental para o bom funcionamento do sistema imune, além de ser importante para o crescimento e desenvolvimento infantil. Ele está presente principalmente nas carnes, ovos, feijões, castanhas e sementes.

SELÊNIO: presente em carnes, peixes, aves, ovos, feijão, tomate, porém as maiores quantidades são encontradas na castanha do pará. Apenas uma castanha oferece mais que o dobro da necessidade diária da criança.

ÁCIDO FÓLICO: presente em abundância em verduras de folhas verdes escuras (couve, brocolis, agrião, espinafre, rúcula, etc), no feijão, ervilha, lentilha e ovos. É importante para formação das células do sangue, prevenindo o risco de anemia e favorecendo a imunidade.

Agora que você já sabe como proteger dos ataques dos vírus que tal dar uma caprichada no cardápio da garotada, com comida de verdade, rica em cores e sabores? 

Não se esqueçam também de deixá-los brincar ao ar livre em contato com a luz solar, ok?

ALERTA: É importante reduzir os alimentos industrializados, ricos em aditivos químicos, açúcar, sal e gorduras ruins, o consumo frequente pode comprometer a saúde das nossas crianças! 

SUGESTÃO DE CARDÁPIO PARA TURBINAR AS DEFESAS NATURAIS DAS CRIANÇAS

CAFÉ-DA-MANHÃ

1 copo de vitamina frutas, com leite e aveia (para quem não pode consumir lácteos, use leite vegetal)

1 panqueca de aveia com recheio de queijo fresco, tomate e alface (para quem não pode consumir lácteos, recheio de pasta de grão de bico, com tomate e alface).

LANCHE DA MANHÃ OU DA TARDE:

Frutas frescas

ALMOÇO

Arroz

Feijão cozido

1 porção de frango picadinho refogado com cenoura e brócolis

Salada de alface roxa e tomate

Sobremesa: mousse de chocolate saudável (bater ½ abacate + caldo de 1/2 limão + 1/2 banana+2 col. sobremesa de cacau)

 LANCHE DA TARDE:

Mingau de aveia com canela e castanha do pará.

JANTAR

Macarrão de abobrinha com carne moída e molho de tomate caseiro

Refogadinho de ervilha fresca, milho cozido e salsinha

Salada de acelga com beterraba

Sobremesa: salada de frutas (laranja+maçã+mamão)

DICAS:

-varie sempre as frutas, verduras e legumes. Ofereça a fruta inteira e não sucos.

-procure diversificar o preparo e caprichar na apresentação.

-para estimular a aceitação da criança, envolva-a  no preparo.

-verifique a possibilidade da escola também estimular estes comportamentos saudáveis, em grupo elas são mais adeptas na aquisição de novos hábitos. 

-evite ter disponível em casa alimentos industrializados (ultraprocessados), priorize maior oferta de alimentos in natura (frutas, castanhas, verduras e legumes).

-avalie com o pediatra a necessidade de suplementação de ferro e das vitamina A e D. 

 

por: Dra. Rosangela A. Augusto Ginotti Pires (nutricionista)

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Arquivado em alimentação e saúde, alimentação infantil, deficiência nutricional, Nutrição Infantil, saúde, saúde infantil

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