Obesidade do pai pode ser herdada pelos filhos?

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Os hábitos alimentares de um homem podem ser transmitidos aos genes de seu filho? Para responder a esta questão uma pesquisa publicada recentemente na revista Cell Metabolism avaliou o perfil epigenômico (modificações que alteram como a informação genética é utilizada nas células, podendo ser ativada ou reprimida na prole) dos espermatozoides de 13 homens magros e 10 obesos, além de 6 homens obesos, com amostras de esperma colhidas antes (um ano) e depois da cirurgia de estômago. Os pesquisadores se concentraram na questão da obesidade, mas tudo indica que esta herança dos hábitos adquiridos, afeta muitos outros genes relacionados com o desenvolvimento e a função do cérebro.

Os espermatozoides carregam informação em seu genoma que refletem os excessos alimentares do pai e podem ser transmitidos a seus filhos(as). Os genes que controlam a regulação do apetite se adaptam aos hábitos alimentares do pai e transmitem aos filhos. É um caso claro de herança epigenetica.

Os pesquisadores compararam os espermatozoides dos homens gordos e magros e notaram diferenças epigenéticas importantes. O efeito se concentra sobretudo nos genes que controlam o desenvolvimento e a função do cérebro, incluídas as geografias genômicas envolvidas diretamente no controle central do apetite.

Outro dado importante é que essas marcas epigenéticas, que afetam crucialmente a regulação dos genes, não são permanentes no homem obeso, mas respondem ao comportamento alimentar habitual, portanto podem ser alteradas com prática de bons hábitos alimentares. A implicação é fascinante, ainda que não esteja comprovada ainda: os filhos gerados pelo pai antes ou depois de engordar deveriam nascer com tendências à gordura muito diferentes. São só predições, porém bem intrigantes.

Os dados alertam que o epigenoma dos espermatozóides humanos muda dinamicamente sob influência do ambiente e oferece insights sobre como se pode propagar ou reverter a obesidade e síndrome metabólica para a próxima geração.

Este estudo é o primeiro mapeamento epigenético de espermatozóides em homens obesos, que revelou um epigenoma distinto característico da obesidade. Os pesquisadores mostraram que os perfis de metilação do DNA do esperma foram alterados após cirurgia bariátrica, indicando que a expressão epigenética do esperma humano é dinâmica e vulnerável ​​às mudanças ambientais.

Os resultados sugerem que não é somente a mãe que deve cuidar da alimentação e estilo de vida, mas o comportamento alimentar do pai e seu estado nutricional, pode exercer grande influência, uma vez que o pai, antes da concepção, pode transmitir geneticamente seus hábitos, bons ou ruins. Portanto, manter um peso adequado, bons hábitos alimentares e estilo de vida saudável podem auxiliar a boa saúde e bons hábitos alimentares dos filhos, e, não estamos falando de “bons exemplos de comportamento” que já sabíamos que afetam diretamente a aceitação alimentar da criança, mas sim de características transmitidas a nível celular.

Estes achados mostram que o destino humano não está escrito dentro de genes, mas que o destino da saúde humana podem ser reescritos (de forma positiva ou negativa) com base nos fatores ambientais.

Obesity and Bariatric Surgery Drive Epigenetic Variation of Spermatozoa in Humans. Donkin et al., 2016, Cell Metabolism 23, 1–10.

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Arquivado em epigenetica, obesidade, obesidade infantil

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