Lipoaspiração pode aumentar a gordura visceral!

cirurgia lipoLipoaspiração é uma cirurgia, de caráter estético, que consiste na retirada por aspiração de gordura subcutânea (localizada abaixo da pele), que é um tipo de gordura não relacionada com aumento do risco de doenças. Porém, os pesquisadores observaram que após a cirurgia houve entre os pacientes avaliados um crescimento compensatório de tecido adiposo na região visceral (ao redor dos órgãos), e esta gordura visceral está diretamente relacionada ao desenvolvimento de doenças como hipertensão, diabetes, sendo um forte fator de risco cardiometabólico, preditor de morbidade e mortalidade independente do IMC, estando também relacionada a maior risco de alguns tipos de câncer. Ocorreu ainda entre os participantes aumento nas concentrações de colesterol.

Isto foi o que verificou um importante estudo realizado por pesquisadores da USP. Participaram desta pesquisa mulheres jovens de (20 a 35 anos) fisicamente inativas, não obesas, sem problemas de saúde ou físicos, que foram submetidas a cirurgia de lipoaspiração abdominal.

Como foi feito o estudo?

Dois meses após a cirurgia as participantes foram distribuídas aleatoriamente em dois grupos, um grupo recebeu treinamento físico por 4 meses (frequência de 3X /semana) e o outro permaneceu em seu ritmo normal (fisicamente inativos). Os participantes foram instruídos a manter o seu padrão de consumo de alimentos.

O que foi avaliado?

Avaliações sobre a distribuição de gordura corporal (por tomografia computadorizada) foi realizada em 3 momentos: antes da intervenção (PRE), 2 meses após (POS2) e 6 meses (POS6) após a cirurgia. Avaliou-se também a composição corporal, parâmetros metabólicos e consumo alimentar, nos 3 momentos antes da cirurgia, após 2 meses e após 6 meses, e gasto energético total, capacidade física, e tamanho dos adipócitos e expressão de genes relacionados ao metabolismo lipídico, avaliada no PRE e após 6 meses.

Quais foram os resultados?

O procedimento de lipoaspiração, utilizado por muitas pessoas como uma solução estética para o emagrecimento, trouxe consequências indesejáveis, com a retirada de uma gordura inócua (subcutânea) e consequente aumento de uma gordura nociva à saúde (visceral)!

Uma boa notícia foi que no grupo de indivíduos que após 2 meses da cirurgia foram selecionados para praticar, de forma regular e orientada, atividade física estes efeitos negativos (aumento da gordura visceral e as alterações metabólicas) forma revertidos e resultaram ainda em ganho de massa muscular. O exercício é particularmente eficaz em induzir a lipólise da gordura visceral, e esta redução significativa da gordura visceral é evidenciada de forma consistente em vários estudos, mesmo sem perda de peso.  Neste estudo, o treinamento físico melhorou a sensibilidade à insulina, bem como força e condicionamento aeróbico, que são os dois fortes preditores de todas as causas de mortalidade em várias populações.

A Academia Americana de Cirurgia Plástica recomenda que a cirurgia de lipoaspiração deve ser “um procedimento cosmético para a remoção de depósitos de gordura localizada que não respondem à dieta e exercícios.” No entanto, na opinião dos autores esta declaração pode ser enganosa em alguns aspectos. Primeiro, porque não concordam com a afirmação de que “alguns depósitos de gordura podem não responder a dietas e exercícios”. Na opinião dos autores o que falta é um programa de treinamento mais direcionado e adequado. Segundo porque os resultados deste estudo verificaram que a lipoaspiração pode ter consequências metabólicas adversas, especialmente para aqueles que não se dedicam à formação de exercício supervisionado.

Fica a Dica!

Para quem está pensando em realizar lipoaspiração, saiba que uma das consequências é o aumento compensatório de gordura corporal na forma de gordura visceral, nociva à saúde. Assim, a prática de exercícios físicos é fundamental em qualquer processo de emagrecimento saudável!

Benatti F et al. Liposuction induces a compensatory increase of visceral fat which is effectively counteracted by physical activity: a randomized trial.J Clin Endocrinol Metab. 2012 Jul;97(7):2388-95.

Artigo completo pode obtido em: http://press.endocrine.org/doi/full/10.1210/jc.2012-1012

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