Como reduzir a contaminação por dioxinas?

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A ingestão de alimentos contaminados por dioxinas é responsável por 90-95% das dioxinas presentes no organismo, enquanto o contato dérmico e inalação é minoritário, salvo exceções. As dioxinas e furanos são subprodutos de certos processos industriais, gerados pela combustão de compostos contendo cloro, que contaminam o ambiente, e, consequentemente o ser humano. Entre todos os isômeros formados, o 2,3,7,8 tetraclorodibenzo-p-dioxina é comprovadamente o mais tóxico, sendo cerca de 500 vezes mais tóxica que a estriquinina (veneno).

O Inca (Instituo Nacional do Câncer) explica que o processo de contaminação humana se dá em cadeia, inicialmente, pela dispersão no ar de dioxinas formadas em processos industriais que irão contaminar o solo e a água, sendo absorvidas pelas plantas e, subsequentemente, ingerida por animais e armazenada no tecido adiposo deles. Assim, o consumo de alimentos, principalmente os de origem animal (carnes, ovos, laticínios) com maior teor de gordura, é o principal modo de entrada da dioxina no corpo humano. A dioxina presente no organismo se acumula no fígado e no tecido gorduroso, estima-se que leve cerca de 7 anos para ser metabolizada e eliminada, mesmo que nenhuma nova exposição aconteça.

As dioxinas são relacionadas a diversos problemas à saúde, como prejuízos ao sistema reprodutivo, imunológico, hormonal e com alto potencial cancerígeno.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) classificaram as dioxinas como poluentes ambientais de preocupação global. A OMS tem advertido que todos os esforços possíveis devem ser feitos para reduzir a exposição a dioxinas e agentes químicos semelhantes à dioxina para o nível mais baixo possível.

Neste contexto, a população brasileira pode estar mais exposta ao risco da contaminação, pois ainda não há um controle rigoroso da emissão deste tipo de agente contaminante em nível nacional. Segundo Relatório Regional da UNEP, publicado em 2002, sobre a avaliação de poluentes orgânicos persistentes (POPs) na região da América Latina e Caribe, uma estimativa da emissão total regional de dioxinas e furanos no ar mostrou que o Brasil e a Argentina seriam os responsáveis por 45% e 25% dessas emissões na região, respectivamente.

O primeiro inventário divulgado pelo Ministerio do Meio Ambeinte  em 2013 sobre os dados de emissões de dioxina e furanos, revelam que as duas substâncias são geradas principalmente pela produção de metais ferrosos e não-ferrosos (38,2%), pela queima a céu aberto (22,8%) e pela produção de químicos e bens de consumo (17,5%). O estado de São Paulo aparece em primeiro colocado responsável por 28,9% das emissões totais, Minas Gerais em segundo, com 12, 9% e o Rio de Janeiro em seguida, com 10,1%. Juntos, os três estados contribuem com mais da metade da liberação total dos compostos tóxicos, sendo o Sudeste a principal região de liberação dos componentes químicos: com 58,8% do total.
A dioxina integra a lista dos chamados “12 sujos” (aldrin, clordano, DDT, dieldrin, dioxinas, endrin, furanos, hexaclorobenzeno, heptacloro, mirex, PCBs e toxafeno), estabelecida na Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes (POP´s). Durante esta Convenção, foi firmado um acordo entre países, o qual o Brasil é signatário, para controlar todas as etapas do ciclo de vida, produção, importação, exportação, disposição e uso destes poluentes, os quais são encontrados em todo o mundo e podem ser transportados pelo ar, água e espécies migratórias.

Entre os processos industriais geradores de dioxinas estão:

– produção do PVC: plástico utilizado em brinquedos, utensílios domésticos, tubos e conexões, embalagens de alimentos, etc;

– produção de papel: através do processo de branqueamento com cloro;

– geração e composição de produtos agrícolas: um grande número de herbicidas, inseticidas e fungicidas;

– incineração de lixo: doméstico, industrial e hospitalar;

– processos industriais: todos os que empregam cloro e derivados do petróleo.

– reciclagem e fundição de metal

– queima de combustíveis como madeira, carvão, gasolina ou óleo,

– pode ser formada naturalmente por meio de incêndios.

Vale mencionar que a produção de PVC é a principal utilizadora de Cloro no mundo. O PVC consome em torno de 40% de toda a produção mundial de cloro e é, portanto, o maior responsável pelo volume de organoclorados gerados no mundo.

Segundo a OMS a análise química quantitativa das dioxinas requer métodos sofisticados que estão disponíveis apenas em um número limitado de laboratórios em todo o mundo. Os especialistas estabeleceram uma ingestão tolerável provisória mensal (PTMI) de 70 picogramas / kg por mês. Este nível é a quantidade de dioxinas que podem ser ingeridas ao longo da vida, sem efeitos detectáveis para a saúde.

A OMS, em colaboração com a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO), através da Comissão do Codex Alimentarius, estabeleceu um ‘Código de Práticas para a Prevenção e Redução de dioxina e de dioxina PCB contaminação em alimentos e alimentação. Este documento dá orientações às autoridades nacionais e regionais sobre medidas preventivas.

Alternativas industriais

Como alternativas, algumas empresas tentaram substituir o cloro nos processos industriais utilizando dióxido de cloro, menos nocivo, o que pode ser aferido em produtos que exponham o selo ECF (Elemental Chlorine Free). Essa alteração se deu principalmente nas indústrias de papel e celulose e foi seguida por outra inovação, chamada TCF (Total Chlorine Free), em que não há nenhum tipo de cloro na composição do material. Ele é substituído por oxigênio, peróxido de hidrogênio e ozônio.

Diante da grande preocupação mundial a OMS estabelece algumas dicas para auxiliar o consumidor.

Dicas para redução da contaminação humana por dioxina (OMS):

1) retirar a gordura aparente das carnes e aves

2) consumir leite e produtos lácteos sem gordura (desnatados).

3) manter uma dieta equilibrada (incluindo quantidades adequadas de frutas, verduras e cereais) vai ajudar a evitar a exposição excessiva a partir de uma única fonte. 

Segundo a OMS esta é uma estratégia de longo prazo para reduzir os riscos à saúde e é, provavelmente, a mais relevante para mulheres jovens, como forma de reduzir a exposição do feto em desenvolvimento e também das crianças que são amamentadas.

Um aspecto importante a se considerar em território brasileiro é optar, sempre que possível, pelo consumo de alimentos orgânicos (visto que alguns defensivos químicos são fontes de dioxinas e outras substancias perigosas), além de alimentos que tenha garantia de procedência e sistema de rastreabilidade. Vale lembrar que a análise de resíduos de agrotóxicos no Brasil é realizada em apenas 13 alimentos, enquanto na Europa a lista está em torno de 300. No último relatório divulgado pela ANVISA, entre as inadequações apresentadas, além do excesso de resíduos de agrotóxicos estava o uso de defensivos químicos contendo substancias não legalizadas no território nacional.

Outra questão a se considerar é que no Brasil nem sempre temos total segurança quanto à presença ou não da dioxina num plástico específico (além do fato do consumidor nem sempre atentar a qualidade do material utilizado, que pode ter origens diversas), assim vale a precaução, evitando aquecer alimentos no microondas em recipientes plásticos, o melhor é transferir a comida para vasilhas de vidro que suporte o calor (temperado). O mesmo vale para o filme plástico que recobre comida. Tire-o antes de levar o alimento ao microondas. No caso do PVC, evite qualquer forma de queima ou aquecimento intenso do material (fato comum em obras, para dar elasticidade ao cano).

Diante de todos os fatores apresentados, conclui-se que um consumo mais consciente (que inclui desde a consciência do que se come e quanto se come até a aquisição de bens de consumo), tenha grande efeito na redução do problema tratado nesta matéria, permitindo reduzir a geração de todo tipo lixo que irá agredir o meio ambiente e á saúde humana.

Para saber mais acesse:

http://cfpub.epa.gov/ncea/CFM/nceaQFind.cfm?keyword=Dioxin

http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs225/en/

http://www.atsdr.cdc.gov/toxfaqs/tf.asp?id=363&tid=63]

http://www.ipen.org/

http://www.pops.int/

http://www.fda.gov/

http://www.pnuma.org.br/admin/publicacoes/texto/Inventario_Dioxinas_Furanos_web_-_ISBN978-85-7738-180-7.pdf

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3 Comentários

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3 Respostas para “Como reduzir a contaminação por dioxinas?

  1. Fiz um ar condicionado caseiro, vou colocar garrafas Pet com água congelada dentro, tem algum risco da dioxina ir pelo ar frio?

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