Qual o impacto do baixo consumo de frutas e hortaliças no estado nutricional da criança?

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Esta é uma questão de grande interesse para pais e profissionais de saúde, pois frutas e hortaliças (FH) são importantes componentes de uma alimentação saudável e existem evidencias que seu consumo regular exerce efeito protetor contra deficiências de micronutrientes e doenças crônicas, por outro lado o baixo consumo está entre 10 principais fatores de riscos para mortes e doenças no mundo.Informações sobre o consumo de FH em crianças no Brasil e em muitos outros países em desenvolvimento são escassas, devido, principalmente, a dificuldade de medir o consumo alimentar neste grupo. Neste sentido, pesquisadoras brasileiras da FSP-USP desenvolveu um estudo para medir a associação entre o baixo consumo de FH e deficiências nutricionais em crianças, utilizando como forma de rastreamento do consumo um questionário de frequência alimentar simplificado (QFAs). Foram estudadas 702 crianças de 4 a 10 anos, provenientes de estudo de base populacional realizado em Acrelândia, região Norte do Brasil. Após a identificação do consumo, as crianças foram divididas em dois grupos: as que “não consumiam ou consumiam raramente FH” e as que “consumiam com regularidade FH”. Utilizou-se como forma de validação das informações do QFAs dados bioquímicos de carotenoides plasmáticos (bons marcadores de consumo recente de FH) e vitamina E (bom indicador de escolhas alimentares saudáveis). As deficiências nutricionais investigadas foram: anemia, insuficiência de vitamina E e D, deficiência de folato e vitamina A, baixa estatura, obesidade e “ter perlo menos uma deficiência nutricional” (DN). As comparações entre os dois grupos de consumo para as prevalências de cada deficiência foram feitas por meio de regressão de Poisson, ajustada somente para sexo e idade, uma vez que as crianças não diferiam segundo características socioeconômicas. Os resultados mostraram que somente 5% das crianças consumiam FH na frequência recomendada (5 porções/dia). Elevadas prevalência inadequações vitamínicas foram encontradas nesta população, sendo 31% para insuficiência de vitamina D, 9% para vitamina E e 15% para deficiência de vitamina A, sendo que 33% tinham pelo menos uma DN. As deficiências nutricionais foram significantemente maiores entre as crianças que não consumiam com regularidade FH quando comparada as crianças com consumo regular. A razão entre as prevalências foram: para insuficiência de vitamina E e a baixa estatura 2,5 vezes maior, para anemia 2 vezes maior e para insuficiência de vitamina D e DN 1,5 vezes maior.  Os resultados desta pesquisa confirmam a importância de se garantir um consumo regular de FH em crianças e ainda que instrumentos simples de avaliação do consumo podem ser uteis como forma de rastrear grupos de maior risco nutricional. Em conclusão os autores finalizam dizendo que ações efetivas em saúde pública e agricultura local são necessárias para aumento do consumo e ampliação do acesso a alimentos mais saudáveis, como as frutas e hortaliças.

Referência do artigo completo:  Augusto, R. A. ; Cobayashi, F. ; Cardoso, M. A. . Associations between low consumption of fruits and vegetables and nutritional deficiencies in Brazilian schoolchildren. Public Health Nutrition (Wallingford), v. 17, p. 1-10, 2014.

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