Aumento da deficiência de ferro em crianças menores de dois anos.

anemiaA deficiência de ferro (DF) é a carência nutricional de maior magnitude mundial, sendo o principal determinante da anemia nutricional. Afeta, principalmente, crianças menores de dois anos, devido ao crescimento acelerado e, consequente, maior requerimento nutricional, que muitas vezes não é suprido de forma adequada pela alimentação praticada habitualmente.Estima-se que 66% a 80% da população mundial sejam deficientes em ferro e 30% anêmicos. Esta situação é muito preocupante, pois a deficiência de ferro e a anemia estão relacionadas a maior morbidade e mortalidade infantil, retardo no crescimento, no desenvolvimento motor e cognitivo e na capacidade intelectual da criança, com consequências muitas vezes irreversíveis. Apesar disto, muitos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, não dispõem de dados que permitam avaliar a magnitude da deficiência de ferro na infância e sua evolução nos últimos anos. Diante disto, estudo publicado na revista Public Health Nutrition, desenvolvidos por pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo, analisaram a magnitude e tendência temporal (2003-2007) da deficiência de ferro e anemia nutricional em crianças menores de dois anos, provenientes de estudo de base populacional, realizado na região Norte do país. Utilizou-se analise de regressão de Poisson, com ajuste para sexo e idade e variáveis socioeconômicas. Os resultados indicaram que além das prevalências de deficiência de ferro nos dois períodos serem muito elevadas, este problema nutricional torna-se ainda mais crítico, devido a sua evolução estatisticamente ascendente, uma vez que passou de 62% (IC95% 53;70) para 81% (IC95%: 75;86). A ocorrência de anemia, apesar de não apresentar aumento entre os anos estudados, manteve-se muito elevada, na ordem de 40%, o que é considerado um problema grave de saúde pública. A introdução precoce de leite de vaca mostrou-se associada a deficiência de ferro em 2003, já em 2007 as características associadas foram: nascer de parto cesáreo e com peso ao nascer menor que 3500 gramas. A situação nutricional das crianças menores de dois anos na Amazônia brasileira, assim como em muitas regiões pobres do mundo, é discutida na literatura como consequência de um conjunto de fatores que se inter-relacionam e estão principalmente ligados ao binômio mãe-filho, por meio da transferência intergeracional do baixo estoque de ferro, com as características gestacionais e do parto (baixa qualidade do atendimento no pré-natal, baixa adesão na utilização de suplementos vitamínicos minerais durante a gestação, anemia gestacional, gestação na adolescência, reduzidos intervalos interpartais e clampeamento precoce do cordão umbilical) influenciando a condição nutricional da criança ao nascer (baixo peso, prematuridade, baixas reservas de ferro). Os autores concluem dizendo que é primordial e urgente a necessidade de reformulação das estratégias atuais adotadas pelo Brasil.

Para ler o artigo completo: Granado, F. S. ; Augusto, R. A. ; Muniz, Pascoal T. ; Cardoso, Marly A . Anaemia and iron deficiency between 2003 and 2007 in Amazonian children under 2 years of age: trends and associated factors. Public Health Nutrition (Wallingford), p. 1-9, 2013.

créditos da imagem: http://www.freepik.com

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