Será que o lanche escolar do meu filho é saudável? Parte 1

Esta é uma dúvida muito comum que escuto com frequência dos pais, tanto para aqueles que preparam a lancheira em casa quanto para aqueles cujos filhos consomem os alimentos disponíveis no cardápio da escola. Neste primeiro post desta série sobre alimentação na escola, apresentarei primeiramente os principais “Vilões” disfarçados de “Heróis“, que insistem em participar da rotina diária de seu filho, tanto na escola quanto em casa, fiquem atentos!

Para começar este assunto, primeiramente preciso descrever duas informações que considero “coringas”, são elas:

A pratica diária da alimentação saudável é um dos principais fatores que garante um crescimento adequado e o sucesso para o pleno desenvolvimento de todo o potencial físico e mental da criança”. 

A família e a escola exercem influência decisiva nos hábitos alimentares da criança. Assim, a pratica de boas escolhas alimentares, nestes ambientes, são as ferramentas fundamentais para prover a criança de condições necessárias para que ela possa, no futuro, fazer suas próprias escolhas, de forma saudável, prazerosa, consciente dos benefícios para a sua vida e a vida de todos no planeta”.

Como pesquisadora na área de saúde e nutrição e mãe de duas crianças em idade escolar tenho me deparado todos os dias com situações que me causam profunda tristeza e até mesmo revolta. Amo crianças e tenho paixão pela vida e a natureza, por isto tenho desprezo por este “capitalismo adulto desleal” que atua incessantemente na busca de formulas cada vez mais eficazes de lucrar, aproveitando-se da vulnerabilidade infantil e humana para infiltrar-se nas mentes e nos lares de todo o mundo instigando o consumo de “produtos alimentícios” que prometem diversão e praticidade, acompanhado de sabor intensos, sedutores e VICIANTES e algumas vezes ainda possuem a ousadia de se disfarçarem de bonzinhos e se intitularem “cheio de nutrientes”.

Quando pensamos em lanche escolar, imaginem quais são os astros mais populares nas lancheiras da criançada?

Isto mesmo, são eles: os refrigerantes (bebidas gaseificadas com sabores), sucos naturais feitos do “puro néctar de açúcar”, achocolatados, salgadinhos, biscoitos e bolinhos. E sabem o que eles têm em comum?

As propagandas enganosas, aquelas que apresentam eles com personagens atraentes para a criançada, recheados de muito, muito sódio, açúcares e gordura. 

Mas você pode me perguntar, “Mas hoje em dia temos opções saudáveis, “fortificadas”, “livre de gorduras trans” e “reduzidos em sódio”, não é?.

E eu te respondo: Sim, temos, mas quem disse que estes produtos são saudáveis?

Muitos destes nutrientes, adicionados quimicamente, são de baixa absorção pelo organismo, como a maioria dos sais de ferros adicionados. Por outro lado, o sódio e as gorduras presentes serão bem atuantes no organismo e poderão, ao longo do tempo, elevar os níveis de colesterol e pressão arterial, prejudicando a saúde.

Quanto à questão “livre de gorduras trans”, devemos lembrar que a característica “crocante” de alguns produtos só são alcançadas com a presença de gordura. Assim, quando lemos o slogan “livre de gordura trans” o que acontece nestes produtos é a substituição de uma gordura muito ruim (geralmente a gordura vegetal) por outra “ruim” (óleo de palma), ou seja, outro vilão fantasiado de bonzinho. Além disto, outras vezes este slogan refere-se apenas a quantidade presente na porção. Mas saiba que a porção, é convenientemente estabelecida pela indústria, para se enquadrar na quantidade mínima de gordura trans que a legislação a obrigue informar. Quer um exemplo? Se em uma porção de biscoito recheado contem 0,2g de gordura trans, pela legislação a indústria poderá arredondar para 0 (zero) e utilizar o slogan “zero de gordura trans”, mas se a criança consumir ao longo do dia todo o conteúdo do pacote, e isto é muito comum, ela terá ultrapassado e muito a quantidade máxima de consumo diário, comprometendo sua saúde cardiovascular.

E o sódio?

Apesar de alguns produtos terem seus conteúdos reduzidos em sódio, a quantidade presente na maior parte dos produtos, principalmente os direcionados a criança, ainda está muito elevada, até mesmo nos produtos que se dizem “integrais”.

Por isto, a melhor ferramenta que temos para não nos deixar ser enganados pela indústria é conhecer os riscos do consumo excessivo destes nutrientes e saber interpretar os rótulos dos alimentos. 

Por isto, ao montar a lancheira de seu filho ou supervisionar o cardápio da escola, lembre-se destas 2 dicas:

1) Prefira os alimentos in natura (como as frutas e legumes) e as preparações caseiras.

2) Não fique refém de produtos industrializados, e, quando utilizar, fique atenta a sua composição, preferindo os de formulações mais simples possível. Exemplo: se comprar sucos de fruta industrializado prefira os “sem adição de açúcares, conservantes, corantes e aromatizantes”.

Se você quer obter mais dicas e informações, acompanhe nossos posts, este é o primeiro de uma série de discussões e informações que estamos trazendo a você sobre a importância do lanche saudável na escola.

Abraços

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