Alimentação saudável e atividade física passam a ter mais efeito que intervenções médicas na redução da mortalidade por doenças cardiovasculares.

Heart-Healthy-Foods

Informações divulgadas em estudo recente, publicado em junho de 2016 na revista JAMA Cardiologia, com dados colhidos pelo CDC, revelam que depois de décadas de reduções nas taxas de mortes por doenças cardiovasculares (DCV), atualmente não se observa mais declínio significativo na redução da mortalidade por DCV. Os resultados soam de forma alarmante, ao pensarmos que os benefícios cardiovasculares de intervenções médicas podem ter atingido um ponto de saturação e que outras melhorias agora irão depender em grande parte das mudanças comportamentais, principalmente alimentação adequada e atividade física, ressaltando, assim, a importância desta área de atuação em saúde pública com ações preventivas.

A pesquisa abrangeu os anos de 2000 a 2014. De 2000 a 2010, as taxas anuais de redução para todas as doenças cardiovasculares (DCV), mortes e acidentes vasculares cerebrais foi de 3,7% para os homens e ~4,0% para as mulheres. Porém, desde 2011, a redução foi de 0,23% para os homens e 1,17 % para as mulheres. Segundo a pesquisa se nada for feito em relação a mudanças de hábitos comportamentais dificilmente serão alcançadas as metas estabelecidas pela American Heart Association que estipula redução das mortes por doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral na ordem de 20% até 2020.

Os dados da pesquisa “National Health and Nutrition Examination Survey” mostraram progressos na redução do tabagismo, da hipertensão e colesterol elevado, fortemente relacionado ao uso de medicações. Porém, em paralelo, sem mudanças efetivas nos hábitos comportamentais, focadas em alimentação saudável e atividade física, muitas pessoas se tornaram obesas e desenvolveram diabetes tipo 2. Os dados da pesquisa nacional reforçam esta afirmação uma vez que encontraram porcentagem próxima de zero de adultos que consumiam dieta saudável com potencial de minimizar os danos à saúde e prevenir DCV, além de verificarem que a prevalência de obesidade em adultos aumentou mais de 50% de 1988-1994 a 2011-2012 e a prevalência de diabetes quase triplicou.

A boa notícia é que é possível mudar este cenário e isto não exige nem inovações médicas nem intervenções genéticas, basta uma boa alimentação e prática regular de atividade física. Medidas aparentemente simples, porém, pouco praticada mundialmente, incluindo o Brasil. Estas mesmas mudanças necessárias para melhorar a saúde cardiovascular também podem ajudar a prevenir muitos canceres, diabetes, declínio cognitivo, depressão etc. Não devemos assumir que as doenças crônicas ocorrem automaticamente com o envelhecimento é possível envelhecer de forma saudável.

Uma comissão de especialistas da American Heart Association definiu algumas metas a serem atingidas pela população como forma de prevenção de DCV, são elas: não fumar; manter um índice de massa corporal abaixo de 25; ser fisicamente ativo; manter uma alimentação saudável, manter um nível de colesterol total inferior a 200 miligramas (sem precisar de medicamentos), manter um nível de pressão arterial inferior a 120X80 (sem necessitar de remédios), manter um nível de glicose no sangue em jejum inferior a 100 miligramas.

Atualmente, mais de 50% dos adolescentes americanos não mantém estes 7 comportamentos favoráveis e, na população em geral, esta situação piora progressivamente com o avançar da idade, com potencial, se nada for feito, de a saúde cardiovascular torna-se rara entre as pessoas acima de 60 anos.

Em conclusão e reforçando a recomendação do Guia Alimentar Brasileiro, cozinhar a sua própria refeição é a melhor forma de garantir uma boa alimentação, focada em alimentos de verdade, rica em nutrientes importantes para a saúde e com uso mínimo de produtos alimentícios altamente processados, ricos em sal, açúcares e gorduras ruins. Não importa o quão ocupado você é, sua saúde e qualidade de vida precisa ser prioritária em sua rotina.

Já que estamos em clima de Olimpíadas, a pergunta que deixamos aqui para você leitor é : “Você já refletiu qual jogo você está jogando?”

O jogo do curto prazo? -aquele focado em prazeres imediatos,  com alimentação rica em açúcares, gorduras e sal e uma vida sedentária, não sustentáveis ao longo dos anos-

ou

Você joga o jogo do longo prazo? –  aquele focado em prazeres conscientes e sustentáveis, no presente e no futuro, com alimentação saudável e atividades física, que lhe proporcionará benefícios para uma vida toda-.

Se você precisa de ajuda para mudar seus hábitos comportamentais procure um nutricionista e profissionais de atividade física para orientação individualizada e incentivo.

 

Referências:

“Sidney S, Quesenberry CP, Jr, Jaffe MG, et al. Tendências recentes na mortalidade cardiovascular nos Estados Unidos e de Saúde Pública Metas. JAMA Cardiol. Publicado on-line 29 de junho de 2016. doi: 10,1001 / jamacardio.2016.1326.” Disponível em: http://cardiology.jamanetwork.com/article.aspx?articleid=2530559

The “Heart Disease and Stroke Statistics—2013 Update” and the Need for a National Cardiovascular Surveillance System. Stephen Sidney, Wayne D. Rosamond, Virginia J. Howard and Russell V. Luepker and on behalf of the National Forum for Heart Disease and Stroke Prevention. Circulation. 2013;127:21-23, published online before print January 2, 2013. Disponível em: http://circ.ahajournals.org/content/127/1/21

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